Showing posts with label Turquia. Show all posts
Showing posts with label Turquia. Show all posts

Monday, March 23, 2015

Nao me sabe mal...


Quando começamos a ter saudades das festas de família e das comidas de que não gostávamos quando éramos miúdos, é sinal de que começamos a envelhecer. Lembro-me do cheiro ácido das uvas acabadas de pisar, dos lanches de bacalhau assado na brasa à sombra dos pinheiros, das ceias de bucho de porco recheado à lareira. A comida portuguesa é muito boa e saudável, toda a gente sabe. Quando na Turquia me perguntam que especialidades lusas sei fazer, eu – que sempre preferi comida indiana, chinesa ou japonesa – fico um pouco envergonhada. Na minha infância, as avós cozinhavam ‘tachada’ e os avós temperavam o vinho novo com colheres cheias de açúcar. Lembro-me de que nos dias de festa – na descamisa do milho, na vindima, na apanha da azeitona – a família aumentava. Vinham os tios da Suíça, o priminho da América, os viscondes de Torres Novas, as primas loiras de S. Mamede e as morenas da Chamusca, o tio angolano e os afilhados de Loulé, os padrinhos de Peniche, os tios da Atouguia... A minha mãe distribuía cumprimentos. «Esta é a minha mais nova. Joana Filipa, cumprimenta o primo! Não te lembras dele?». O primo crescera, já estava careca, eu olhava-o confusa... Havia muito trabalho. Durante o dia, todos se envolviam em pó e terra – e eu fugia, inventava trabalhos de casa e estudos inadiáveis. À noite todos partilhavam a refeição – e aí eu não conseguia fugir. Lembro-me do frio, do cheiro a palha e do bafo quente das vacas. À matança do porco era preciso ir com aquela ‘roupa de trazer por casa’, porque «sabes que em casa da avó te sujas sempre», e com aqueles sapatos velhos «para não estragares no lume os bons». Avançava de gorro do irmão na cabeça e Kispo da mãe pelos ombros, botins de borracha pelo joelho e calças de fato de treino entaladas em várias meias de cores diferentes. Era pouco dignificaste. Se chegava cedo e o animal ainda estava vivo, tinha ataques de vegetarianismo e estragava o apetite aos presentes com choros sobre «o pobre do bicho», «a crueldade dos homens» e as virtudes das couves e das cenouras. Às vezes chegava tarde, e o sangue fresco já ensopava o mato espalhado à porta de casa, enjoativo. Depois havia muito barulho e pouca privacidade, longas conversas sobre as minhas negas a Matemática e a minha puberdade precoce. Nestas noites cortava sempre os dedos a partir carne para chouriças e morcelas. Nauseava com as tripas para lavar com água, sal e limão. Brincava pelos cantos mais misteriosos da casa, entre manjedouras e arcas de madeira cheias de sal, milho e roupas velhas. Fazia com os irmãos e os primos bandas de música, com panelas, tachos e bacias. À refeição havia duas mesas, e era na mais baixa que se sentavam as ‘crianças’. Matulões de faces rosadas pelo fresco do ar da serra e aspirantes a artistas urbanas presumidas (como eu), todos se apertavam com os priminhos em terceiro e quarto grau em ranhos e nódoas, na mesa pequena. Todos com o mesmo tratamento do campo – revigorante, vigoroso, bruto. «Comer p’ra diante!», ia ordenando o chefe de família. Hummmm, língua de vaca cozida, delicioso! Havia sempre broa e pão caseiro, que eu comia ainda quente com manteiga e açúcar. Polvilhava de açúcar e canela as ‘filhoses’ que os meus avós maternos feitiçavam na lareira. Provava os cafés de cevada cremosos. Todos passamos por estes momentos em que a família se junta para basicamente comer. Na minha, há os que cozinham e os que comem, e eu infelizmente nunca consegui inserir-me em nenhum dos grupos. Confesso que a culinária portuguesa é para mim indigesta, mas os meus parentes foram abençoados pelo saudável ar do campo e uma pizza ou uma pasta são já demasiada ‘estrangeirice para eles’! Nas ceias de Natal, quando se servia o sofisticado bacalhau espiritual que a minha irmã cozinhava com talento, era quase por favor que os familiares levavam o garfo à boca. Ouvia-se o impagável comentário do meu avô: «Não me sabe mal». E o da minha avó materna: «É bom, não é preciso mastigar». E ainda o da minha mãe: «Sabes o que é bom? É que não é enjoativo». E era por diplomacia que a minha mãe fazia mais ou menos às escondidas um prato alternativo a esta experiência, ou seja, o prato habitual. Na minha família os mais novos não provavam as delícias tradicionais e os mais velhos desconfiavam de tudo o resto. Estou fora da casa materna há alguns anos e envelheço. Sei pelos livros que envelheço. Que quando nos chega a saudade dos cozinhados que a mamã fazia sem pompa – o arroz de grelos, o bolo de laranja, o arroz doce, a feijoada de entrecosto –, e com isso vem o lamento de não ter aprendido com a avó a tender a massa ou a fazer queijos frescos, sabemos que envelhecemos. Estou fora da casa pátria há quase dois anos, e nos caminhos pelo mundo muita ‘estrangeirice’ provei e imagino as máximas da minha família aplicadas à sopa de panquecas da Áustria, ao queijo feta da Grécia, à popular bebida ayrian da Bulgária, ao repolho recheado romeno, ao borsch da Ucrânia, ao caviar da Rússia, à carne de cavalo dos nómadas cazaques, aos olhos de carneiro dos uigures... Em terras turcas, o sentar à mesa – longo, ritual, perfumado – é delicioso. Em Antakya, embora seja pequeno-almoço, os pratos desenrolam-se, sem vergonha, em saladas de pepino, pastas de sésamo e guisados de borrego. Para meze (aperitivo) há beyaz peynir (queijo) e zeytinyagli biber dolmasi (pimentos recheados). Há cerkez tavugu (frango com nozes) no tabuleiro do fundo, e na mesa ao lado as famosas delícias turcas: ton birimi (favos de mel), antepfistikli kurabiyeler (biscoitos de amêndoa e pistácio), tavukgogsu (doce cremoso com frango), bademli gullaç (doce de leite, amêndoas e água de rosas), nuriye tatlisi (pastéis de amêndoa), susam helvasi (torrões de sésamo)... E, nos jarros, os molhos de iogurte em variações sem fim, dos doces aos salgados, dos cremosos aos empastados. É dia de festa, sou a única mulher e ofendo a refeição sagrada com a minha presença. Somos convidados a brindar com Raki. Ou melhor, o Telmo é; eu aguardo na mesa do fundo. Cubro-me com o lenço, pequeno demais para todas as partes do corpo que preciso de tapar. – Que lhe parece? É licor de anis, a nossa bebida nacional! – ... Não me sabe mal – responde o Telmo.

Já que aqui estamos

Goreme, Turquia.

10 horas.



- Estaciona aí, espera, acho que não se pode... desculpe, aqui não se pode?

- Posso?

- Não sei, não percebo o que ele diz...

- Vê aí no guia as frases fáceis.

- Em Turco não há disso, olha aqui, é impossível de dizer. Mas tento, evet? hayir? (sim, não) ele diz belki, espera lá, ora belki é... é “talvez”. Acho que está a gozar comigo.

- Deixa, levamos o Ra?

- Aqui? Mas é um museu.

- É ao ar livre, não perguntes, levamos.

Na bilheteira estranham mas aproveitam, Ra paga meio bilhete

- Bem, é fantástico.

- É incrível não é?

- Mas construíam assim porquê?

- Porque era mais fácil escavar na pedra mole do que andar a carregar. Depois vais ver em Istambul...

- Mas achas mesmo que devemos ir – Ra não faças aí, isso são frescos! – achas que devemos ir já para Istambul?

- Sim, porquê?

- Não sei, ainda não sabemos se podemos mandar de lá o jipe.

- Mas temos este contacto da Vainoglio Shipping.

- Sim, na China também tínhamos contactos e foi o que foi. E na Rússia também havia barco em Rostov e depois...

- OK, não temos a certeza mas em princípio...

- Mas eu agora queria ter a certeza porque se vamos a Istambul e não há transitário? – olha aquela, isto viver aqui dentro devia ser difícil – não sei, tenho receio que cheguemos lá e nada, mais quilómetros e depois...

- Se de lá não der vamos para a Grécia, também temos aquele contacto da Teresa, de Pátras  – as igrejas é por aqui, queres ver ou já não te apetece?

- Sim, vamos. Mas teríamos de ir para a Grécia de novo e ela não deu datas. E afinal vamos para Moçambique ou para o Vietname?

- Então não decidimos que o Vietname fica para depois?

- Sim, mas estamos sempre a mudar de planos.

- Que fazemos então?

- Sei lá, a mim apetece-me passear por aqui, não podemos fazer isto para sempre? Estou a brincar. Tenho fome. OK, vamos tentar... mas os ferrys são sempre difíceis e nós vamos dentro do jipe, num transitário vai lá o jipe sozinho... há histórias de malta que perde tudo assim, afunda-se o teu contentor, só o teu, percebes? Ou não deixam desalfandegar... não te lembras que o meu irmão falou nisso?

- Porque estás tão pessimista? Não és tu que dizes que “há trolls nas palavras”?

- Sim... mas repete lá para eu me convencer, se o jipe for no contentor do transitário nós vamos...?

- De avião, com o Ra - já me deste um beijo hoje?

- Ó pá, não faças isso, eles aqui olham muito, amor!beijam-se Vamos almoçar? tenho fome!

Esplanada.

13 horas.

- O que é que te apetece?

- Não sei, aqueles hummus e assim...

- Há kebabs de carneiro.

- Pode ser. E um pastel daqueles doces muito perfumados.

- E peço isso como ao empregado?

- É... como é que se chama? Tavukgogsu, pede lá para eu ver. Telefonas para a D. Teresa? – ei, este gato saltou para o meu prato! Bicho, bichano, sai lá daqui.

Telefonema transitário grego

- Eu para Moçambique não sei... nós fazemos é muitos transportes para o Cairo... para o Cairo não lhe dava?

- Cairo?... mas como descia depois para Moçambique? Porque por terra não dá, eh, eh -riso nervoso - como poderia ser?

- Só se fosse depois de barco de Alexandria para Maputo, deve haver, não é? De qualquer modo demora, o nosso vai a Amesterdão, compreende? são as rotas que usamos... são sempre 30 dias. Mas porque não veio de avião? Isso de vir assim por terra é um bocado complicado...

- Filipa, diz que são 30 dias.

- Ai! Como vamos ficar esse tempo à espera do jipe com o Ra?

Telefonema D. Teresina, Embaixada portuguesa em Ancara

- Andam a viajar como? Não percebi? De carro?

Pois... estou a ver... mas sabe quem se calhar pode ajudar? o nosso Embaixador no Cairo é muito simpático, telefone, pode ser, não é?

Telefonema Embaixada no Cairo

- A viajar por terra? De Portugal à China? E da China à Turquia? Caramba.

Bom, daqui... como poderia ser? Mas, desculpe lá, mas como é que faria daí donde está para chegar ao Egipto com o jipe? E, desculpe, mas estão a pensar atravessar África por terra? Isso era uma viagem fantástica.

- Quer dizer – Filipa, ele fala em atravessarmos África por terra - Nós gostávamos mas... Bom, estamos aqui a ver barcos, mas demoram muito e não é viajar por terra.

- Pois, isso é pena, mas para seguirem até aqui... Síria e Jordânia, talvez... não sei. Há a questão de Israel...

- Mas nós não temos vistos nenhuns, como não planeámos vir por aqui...

- Então mas se aí na Embaixada vos ajudassem a chegar aqui de algum modo, eu ajudo a partir daqui.

- Mas descíamos como? Quero dizer, há o problema do Sudão.

- Sim, de facto o Sudão é muito complicado... era de evitar, mas deixe-me aqui falar porque tenho muito boas relações com o Ministro Plenipotenciário no Cairo e pode desenhar-se uma rota... sei lá, sei que há um ferry para Port Sudan, não sei, estou a pensar. Falem com a Embaixada aí, eu vou ver.

- O que achas?

- Bom, eu nem imagino, atravessar toda a África por terra?

- Sim. Apetece-te mais que mandar de barco?

- Qual barco, eu já nem penso no barco!

- Mas era mais sensato e seguro, não?

- Sensato e seguro era ter ficado em casa.

- Mas e o Sudão? Nós não podemos atravessar o Sudão!

- Deixa ver, ele disse que talvez haja essas hipóteses de ferrys... Ele ficou entusiasmado não foi? Eu também fiquei!

- Eu também...

Novo telefonema para o Cairo

- Estive a ver, há a hipótese de tomar um ferry de Alexandria para a Arábia Saudita, de lá para Port Sudan, de lá para a Etiópia, porque o Sul do Sudão é que não pode mesmo ser passado. Eu achava muito interessante passarem a Etiópia, numa viagem assim, no fundo é a nossa História, é a rota de Pêro da Covilhã. Mas o que é que sentem em ir viajar num país em guerra?

Se conseguirem vir andando quando estiverem na Jordânia telefonem.

- Agora só falta arranjarmos os vistos.

- Só, dizes tu.

- É melhor avisar o MNE?

- De que queremos atravessar África? Eu até tenho vergonha.

- Bom, vamos para Ancara?

- Vamos!

Ainda hoje Luíz de Albuquerque Veloso, do MNE, nos diz

«Não poderei nunca esquecer o vosso telefonema quando estavam na Turquia a participarem-me que "já que ali estavam", iam primeiro a Moçambique (por terra) e logo iam ao Vietname!!!»


Quando, na Turquia

Quando dois gatos escavaram uma nascente e uma rã voou com asas, pulgas amestradas caíram, e as pedras saltaram sobre elas. O galo foi um imã, a vaca um barbeiro, o javali dançou; tudo isso aconteceu quando o Padishah era velho.


Quando Massis era “A Mãe do Mundo” o dilúvio empurrava Noé pelo Negro Mar, a sua Arca atracou em Ararat. Quando os homens a procuraram subindo o monte foram abatidos pelos curdos. Quando as neves em Novembro cobrem o Monte Ararat, quando o camelo era mensageiro, quando os castores mudavam o curso dos rios, viajamos para cima e para baixo nas rotas terrestres, até à Turquia.


Quando em Esmirna nasceu Homero. Quando os poetas falavam no teatro de Éfeso. Quando Paulo e João pregavam a palavra de Deus. Quando Maria foi reconhecida mãe de Cristo. Quando em Tróia aprenderam a desconfiar dos gregos e dos seus presentes, Eneias partia para os braços de Dido.

Quando as oliveiras davam sombra viajamos nós para cima e para baixo nas rotas da Turquia.


Quando os gregos moravam no cálido vale de Hierápolis. Quando os homens se banhavam nas águas termais das piscinas do salute per aquum e as cascatas de água calcária na colina formavam bacias gigantescas de águas azuis ou verdes. Quando chamavam à colina branca Pamukkale (castelo de algodão), escorregamos na pedra polida pelas águas mornas.




Quando subimos as escarpas de Denizli, em testes às potentes mudanças redutoras do nosso todo o terreno, no seu topo, em construções trogloditas encontramos os anciãos Alevi, Rafat e Ally. «Nós somos três irmãos», diz o mais velho, «o nosso pai morreu há muito tempo e deixou-nos um turbante, um chicote e um tapete de oração. Quem usar o turbante torna-se invisível. Quem se sentar no tapete voa como um pássaro e quem fizer estalar o chicote possui o dom da verdade. Quem deve receber o turbante, o chicote ou o tapete? Esta é uma questão que discutimos continuamente.»


«Quando o primeiro mortal apareceu sobre a terra e os peris rejubilaram sobre o maravilhoso trabalho de Deus, os dews invejaram-no. O pai do mal quis destruir esse trabalho, cuspiu sobre o Primeiro Homem, imaculado, e atingiu-o na região abaixo do estômago. Mas Allah, o todo-misericordioso, rasgou a carne contaminada, atirando-a ao chão. Da marca da carne arrancada surgiu o umbigo. O pedaço de carne, impuro por acção do Maldito, renasceu a partir do pó, e assim, quase em simultâneo com o homem, o cão foi criado. É por isso que Maomé se recusa a tolerar o cão na sua casa.»


Quando para o muçulmano o cão era o seu implacável inimigo procuramos nós hotel na Turquia:

Do you accept dogs?

- Dollars? Yes, no problem.

- No, dogs.

- ...?

- Ão! Ão?

- No, we do not, of course not! Don’t worry about that, we never do!

- No, but we… OK, thank you…


Quando as mulheres escondiam os cabelos e guardavam o sorriso, quando as crianças conduziam o gado, quando o muezzin chamava para a oração entramos nós no Donner Kebab, numa rua de Nevsehir. 


Sou a única mulher na sala com cheiro a cardamomo e carnes guizadas. Depois da refeição o empregado de mesa vem, formal, oferecer água de colónia... a resposta exige alguns momentos de observação dos locais, que a esfregam nas mãos, imitamo-los.


Quando os povos escavavam na pedra ou na rocha as suas casas.

Quando os vulcões Erciyes e Hasamdag entraram em erupção. Quando as variações térmicas da terra fizeram estalar a cobertura das rochas e formaram campos planos de poeira vulcânica, montículos, mesas, montanhas tabulares, canyons. Quando as fadas tocaram com a sua magia as pedras pintando-as de cinza, bege, lilás, dourado. Quando os animais falavam vivia na Turquia um Vizir com duas filhas.

Quando os homens esculpiam igrejas bizantinas nas paredes do vale de Goreme, quando pintavam em frescos serpentes estranguladoras. Quando compramos tapetes em Konya e admiramos nas margens do Bósforo a silhueta recortada dos minaretes que engalanam Istambul, vivia na Turquia um sultão infeliz.


Quando os gregos festejavam o amor com templos e libações foi construída uma cidade em Caria. Quando Afrodite era para os homens o desejo, a beleza, o amor. Quando a terra tremeu trouxe a àgua, em inundações que escureciam o mármore branco das pernas da deusa, ruinaram os seus templos. Afrodisias não mais recuperou. Quando viajamos na Turquia beijamo-nos na entrada principal.


Quando os povos invasores vindos da Ásia Central percorriam as planícies em busca da pilhagem, nas chamadas “planícies de passagem” as cidades são subterrâneas.


Quando nos vendem pedras preciosas falsas e nos oferecem perfumados kahve, café turco, lêem o nosso destino nas borras grossas. Quando mergulhamos pelos túneis labirínticos de Kaymakli ou Derinkuyu conhecemos Aziz.


Quando provamos hummusfelefel, ou baklava, até os heróis dos contos páram para deliciar-se.

O filho Deniz levantou-se:

«Então o Príncipe Hussein esteve aqui e raptou a filha do Sultão! Mas não esperam pela demora, irei apanhá-los aos dois.

Dizendo estas palavras sentou-se, calmamente, bebeu chá e fumou o seu cachimbo de água, depois levantou-se e correu atrás deles.»


Quando a capital da Turquia se chamava âncora, Ancara. Quando foi tomada pelos hititas, frígios, persas, romanos, otomanos, árabes, seljúcidas e mongois.

Quando Istambul era o centro do império otomano, derrotado no final da Grande Guerra. Quando Mustafa andava na escola foi chamado de Kemal (perfeição), quando apadrinhou a nova república chamou-se Ataturk, ou “o pai dos turcos”.

Quando Ataturk foi presidente aboliu o Sultão, o Vizir, o Paxá; promoveu a separação entre a religião e o estado; baniu o Fez (chapéu otomano) e o véu das mulheres; abriu escolas para o ensino da arte; levantou a proibição do álcool.

Quando a região de montanhas nevadas, densas florestas, lagos, pastos, planícies, vales férteis, rios como Tigris e Eufrades era conhecida como a Alta Mesopotâmia. Quando o clima era extremo e as pessoas reservadas.

Quando a Turquia não pertencia à Europa mas as estradas não sabiam, viajamos suavemente, montanha acima, vale abaixo.